Cerca de trinta e três pessoas cometem suicídio por dia no Brasil e esses dados podem ser ainda maiores. Mas, existe um enorme medo em falar sobre suicídio na mídia e nas conversas do cotidiano, pois, existe o temor de incentivar o suicídio. Entretanto, quanto mais esse tema se distancia do dia a dia, mais pessoas sofrem sem a ajuda necessária. Imaginem se, diariamente, esses corpos fossem encontrados na beira de Copacabana… Isso se tornaria notícia?
1- Suicídio é impulsivo, nunca é planejado.
O suicídio em pessoas que não estão severamente comprometidas mentalmente, como em casos graves de psicose, aonde há ruptura com a realidade compartilhada, não acontece sem avisos prévios. Geralmente, ocorrem tentativas, acidentes sem explicações, automutilação ou, em alguns casos, até há comunicação com a família, por isso, essa afirmação é um MITO.
Até chegar o momento do suicídio, o indivíduo percorre um difícil caminho de muito sofrimento e acredita ser impossível outra saída. Considera que seria o melhor para si, pensa no momento, na família, se questiona sobre os motivos para se continuar a vida. Quando esses pensamentos se tornam demasiadamente persistentes, começa o planejamento efetivo.
2- Quem quer se suicidar realmente o faz.
As tentativas podem não terem sido eficientes por inúmeros motivos, tais como: o socorro ter sido eficaz, o método não ter funcionado, entre outros. No entanto, pode-se perceber que quanto maior a ocorrência de tentativas, mais perigosas elas se tornam, o que mostra que essa afirmação é um MITO. Desacreditar nesse ato, muitas vezes, impede que essa pessoa, em sofrimento, receba o apoio e tratamento adequados, podendo assim, culminar no resultado contrário. Logo após uma tentativa, é necessário aumentar a preocupação e cuidado.
3- Quem deseja a própria morte só quer chamar atenção.
Crer que as ameaças, os indícios ou tentativas suicidas são meros jogos emocionais é menos prezar o desespero e a desesperança de alguém. Infelizmente, é extremamente comum, as pessoas atribuírem o risco de suicídio às mulheres, adolescentes e crianças, por demonstrarem mais sinais do planejamento ou até pelos seus métodos serem menos eficazes do que os habitualmente utilizados por homens. Assim, por mais que faça sentido pensar no benefício que virá com a ameaça de morte, essa afirmação é um MITO .
4- Homem não comete suicídio!
A cada mulher que se mata, quatro homens fazem o mesmo, ou seja, mais um MITO. Quando nossa cultura desaprova o choro, o sofrimento, o padecimento masculino e designa ao homem ocupar o lugar de chefe e estruturador da família, ele se envergonha diante da falha em tal missão. Por isso, ele demonstra, em alguns casos, menos sinais de que cometerá o suicídio e, a maioria dos homens, não procura ajuda ou possui dificuldades de adesão ao tratamento.
5- Suicidas são sempre pessoas que possuem transtornos mentais.
Psicopatologias e o uso de substâncias psicoativas, como álcool e outras drogas, são importantes fatores de risco para o suicídio. Contudo, muitos dos diagnósticos de transtornos mentais foram pensados no momento da investigação da morte e algumas das pessoas não tiveram um diagnóstico prévio formulado, portanto, consiste em um MITO. Todavia, é cada vez mais evidente, a relevância do cuidado da saúde mental das pessoas que apresentam adoecimento psíquico.
Quais são as verdades?
Após uma tentativa de suicídio com tratamentos psicológico e psiquiátrico adequados são aliados, é possível que o risco diminua gradualmente. Além disso, crer em uma religião, participar do convívio social, através de uma comunidade na igreja, com a família e os amigos, bem como, praticar atividade física pode ajudar bastante.
Por isso, é fundamental que você se informe para poder disseminar a informação e se, infelizmente, um dia precisar estar ao lado de uma pessoa que precise tanto de ajuda, você estará lá não para julgá-la ou estigmatizá-la.
Pergunte, escute, se ofereça para acompanhá-la a um serviço de saúde o mais breve possível.
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