Imediatismo, ansiedade, frustração, vivemos numa época em que a contagem do tempo foi alterada e distorcida. Pouco importa o significado de uma hora ou de um minuto, nosso desejo precisa ser realizado no mesmo instante. Você já sentiu isso? Cada dia mais o imediatismo tem deixado você mais ansioso, e frustrado por não conseguir as coisas na velocidade que deseja.
É inimaginável que houve um período da história em que as pessoas se relacionavam através de cartas, escreviam e esperavam por dias ou semanas pela resposta. Atualmente, quando o whatsapp sinaliza, sentimos necessidade em verificá-lo prontamente e responder a mensagem imediatamente ou algo de errado está acontecendo. Assim, tolerar a frustração da espera ou da não satisfação de um desejo é desconcertante.
Como podemos viver dessa maneira? Ficar apenas no aguardo do grande amor, sem tentar a sorte com outros antes? Acreditar que o sucesso baterá na sua porta de repente, se para isso é preciso investir tempo suficiente e errar muitas vezes? Como esperar a tristeza passar, se você deveria estar feliz como todos se mostram nas redes sociais? De que maneira não se paralisar diante das novas possibilidades porque perdeu aquela grande chance que nunca mais voltará?
Como seu corpo reage a tanta ansiedade?
Infelizmente, nosso corpo não segue essa cronologia do imediatismo contemporânea, a qual gostaríamos e pensamos vivenciar: tudo tem que ser pra ontem! Se assim fosse, o corpo ficaria magro se deixássemos de comer durante uma semana, não sofreríamos se não quiséssemos e não haveriam problemas, pois, todos seriam resolvidos no exato momento em que se criaram. Porém, a vida não melhora ou muda por causa de um simples desejo ou ação. Logo, sabotamos nosso real potencial fazendo as escolhas de forma corriqueira, com pressa de acertar, com afobação em ser feliz, com a imprudência de querer acabar com tudo logo.
Passamos os dias de duas formas: nos abarrotando de afazeres ou com a sensação de vazio e tédio. Porém, essa é a vida verídica, não editada como nos filmes e seriados, por isso, ela é composta de muitos momentos sem graça, rotinas e hábitos do dia a dia em detrimento de finais de semana e grandes acontecimentos. Eu sei que você se sente frustrado com isso, como se aquele sonho nunca fosse chegar. Essa frustração é intolerável para algumas pessoas, e, portanto, causa comportamentos impulsivos e compulsivos como comer, fumar, beber ou até se colocar em situações de risco.
O mesmo ocorre com pessoas que enchem a vida de papéis e funções importantes, possuem incontáveis compromissos ao mesmo tempo e ainda ouvem música, assistem TV, vivem conectados na internet com a finalidade de fazer com que o barulho de fora silencie os ecos dos seus pensamentos. Pois, dessa forma, não existe a possibilidade do vazio ou até de entrar em contato consigo mesmo. Mas, será que você consegue dar atenção de qualidade à todas essas tarefas e atividades ou se prende tanto em uma só que não sobra tempo para os outros ou para você? Qual foi a última vez que você parou para pensar a respeito?
Temos a obrigação de seguir uma lista imensa de afazeres rotineiros, todavia, eles parecem insuficientes. A sociedade à nossa volta favorece o imediatismo, muitas vezes, adiciona mais e mais deveres para que sejamos considerados cidadãos respeitáveis e admiráveis, logo, você aceita que é necessário ter sucesso profissional, casar, ter filhos, ser julgado como bom pai ou boa mãe contemplando os requisitos de uma família tradicional perfeita, malhar, ingerir somente alimentos saudáveis, ser bonito (a) e ainda aparentar que a situação vivida é pura diversão. Preste atenção em como você está vivendo: não pode parar nunca, está sempre na companhia da televisão, utilizando fones de ouvido, mexendo no computador e no celular.
Como melhorar?
Qual foi a última vez que você parou para refletir ou só para ficar quieto? Nós escapamos do silêncio como se ele fosse um inimigo mortal! Isso impede que, gradativamente, o contato com as próprias sensações, emoções, lembranças e pensamentos se torne cada vez mais fragilizado. Claro que muitos dos meios de comunicação imediatos servem para unir as pessoas, contudo, acabam as distanciando de um contato pessoal genuíno e da chance de estar confortável com seu próprio ruído interno. A relação que temos com nós mesmos é a mais importante de nossas vidas e precisa ser cuidada, jamais esquecida.
É fundamental aprender a gostar de permanecer em sua companhia, mesmo que não seja em um momento favorável. Pois, suportar o sofrimento é parte do desenvolvimento emocional. Se quando você está sozinho fica imaginando que o tempo está passando e você não está produzindo, aproveitando a vida ou colecionando memórias, inevitavelmente, você se sente triste, insatisfeito, pensa que vive rodeado de pessoas rudes, ou seja, parecerá que está “jogando fora” sua vida.
Sofrer parece imperdoável, afinal, não temos tempo para isso. Mas, faz parte da nossa existência, já que o sofrimento é condição do viver e o pensamento é inerente ao ser humano. Se eu pudesse, neste texto, relatar alguma técnica maravilhosa para deixar o imediatismo, a ansiedade e a tristeza de lado ou um truque para parar de pensar naquela pessoa, certamente o faria. Contudo, eu estaria mentindo. Apesar de doloroso, a angústia ensina e, infelizmente, precisamos pensar e testar todas as possibilidades criativas para compreendermos o que aconteceu conosco e nos acalmarmos.
O momento feliz não dura eternamente, nem mesmo fica congelado, até porque, o que faz com que você esteja alegre hoje pode deixar de fazer sentido amanhã. No entanto, durante o período no qual você se sentiu feliz, foi muito bom e gratificante, assim como, o período que foi penoso, você se desenvolveu, seja através de aprendizado, experiência ou pela percepção de que não é dessa forma que se chega ao resultado almejado. Você acredita mesmo que todas as pessoas que hoje estão felizes ou bem-sucedidas sempre estiveram assim? Saiba que é sempre tempo para recomeçar, se reorganizar, recriar e sonhar novos sonhos!
https://youtu.be/U3ZBNCRlkJk
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