Estamos vivendo um período em que a felicidade é obrigatória. Nas redes sociais estão todos felizes, lindos, bem sucedidos, viajando e fazendo declarações de amor. As pessoas parecem não suportar ouvir que a outra não está bem, que está passando por uma dificuldade, quando fazemos a rotineira pergunta: “tudo bem?”. Não estar, não é aceitável, você precisa estar feliz, ou fingir, se medicar ou se recolher para que ninguém tenha contato com o sofrimento, imagina então se tiver depressão.
É fundamental se permitir estar triste, sofrer em alguns momentos, como o fim de um relacionamento, a perda de emprego, morte de uma pessoa querida, doença, briga, saudade… Seja qual for seu motivo, o sofrimento está liberado.
Dizem que meninos não choram, que é coisa de menininha, disseram para as meninas que é demonstrar fraqueza. Contamos da fantasia de que adultos são fortes e não choram em público. Fizeram músicas dizendo sobre chorar ao chuveiro, como se fosse bucólico e até charmoso chorar baixinho pra ninguém te ouvir. Ou até que você sufocado pelo travesseiro para abafar seu som, fosse algo normal e lindo.
Você aprendeu que deveria se envergonhar do seu choro, e que ninguém poderia saber que ele acontece.
Às vezes sem motivo, às vezes por algo que parece bobeira, às vezes porque estamos sofrendo tanto que não existem mais palavras ou pensamentos que conseguem dar conta, ou ainda porque a emoção é forte demais, choramos por felicidade e por tristeza, faz parte da vida humana, de toda ela.
Quando você pode entender o significado do seu choro, vai poder olhar com mais amor e respeito o choro das pessoas à sua volta, e até aquele choro antes insuportável da criança no ônibus. Vai entender que existe um sofrimento, que existe uma insatisfação e não só está chorando para irritar.
Além disso é para algumas pessoas no sofrimento ou no desconforto que temos a possibilidade de lidar com aquilo que não está resolvido em nossa vida, sejam memórias do passado ou problemas atuais. Dessa forma, esse sofrimento possibilita que você lide com questões importantes, que podem resultar no desenvolvimento e na criação de novos esquemas de resolução de problema e de enfrentamento.
Quando começar a se preocupar?
A depressão é muito mais forte, é uma dor viver. A pessoa tem seu mundo cada vez mais restrito, seu sofrimento toma conta. O que começa a atrapalhar sua vida, a se desinteressar por atividades rotineiras e se empenhar menos, o que muitas vezes gera sintomas cognitivos como diminuição da concentração e memória gerando uma diminuição no rendimento profissional. A pessoa não consegue sentir prazer em boas companhias, passa a não querer sair de casa, pois acredita que as pessoas não gostam dela e que irá contaminar os lugares com sua tristeza.
É uma tristeza persistente, sentimento de culpa, inferioridade, muitas vezes, com sintomas físicos, tais como: dores, inflamações ou insônia. O desamparo, crença da não melhora e pensamentos negativos diante da vida podem conduzir à morte, pois, apenas através desta não será necessário sentir tanta dor. Há demasiado retraimento pessoal e sem tratamento, a pessoa pode se retrair completamente ou até cometer suicídio.
Evidentemente, cada pessoa sente esses sintomas de diferentes formas e intensidades, pois cada um de nós teve vivências diferentes durante nossas vidas. O importante é como você enfrenta! Poder reconhecer que precisa investir em si mesmo e, geralmente, procurar ajuda psicológica.
Você não deve se acostumar ou querer controlar a depressão, ela precisa de tratamento adequado para melhorar. Toda doença psicológica tem componentes BIO-PSICO-SOCIAIS, ou seja, o “bio” é a parte genética, é a substância que seu corpo não está produzindo e contra isso vamos tentar controlar com medicamento prescrito pelo psiquiatra.
Como é o diagnostico?
Mas existe o componente “psico” e “social”, ou seja, aquilo que você pode se responsabilizar e mudar, fazendo psicoterapia para que você fortaleça sua estrutura psicológica, depois resolvendo e mudando a sua vida. Se tudo na sua vida estiver mais tranquilo, se você souber resolver problemas e tiver boas relações, terão menos fatores favorecendo sua depressão.
Lidar com esses 3 aspectos não é se acostumar e viver com o diagnóstico da depressão colado na testa, não importa, sempre há como viver melhor. Diagnóstico não é sentença de morte, é uma condição, é uma característica, sua vida é muito maior e muito mais complexa que ele.
Não é controlar, porque não é uma condição imutável. Eu entendo que a pessoa está dizendo isso já prevendo que sempre terá essa condição a vida toda. E pode ser verdade, mas existem jeitos de lidar melhor com ela, de ter uma relação melhor com esta característica dessa pessoa.
Pensamentos como esses são extremamente danosos, porque fazem com que as pessoas parem de procurar ajuda porque percebem que não conseguem controlar nem ao menos se acostumar em viver uma vida ruim. E estão certos porque este pensamento está errado.
Todos os aspectos da sua vida podem ser melhorados, não se acostume ou queira controlar. O importante é como você enfrenta! Reconhecer que precisa investir em si mesmo e, geralmente, procurar ajuda psicológica e psiquiátrica, acreditar em você e procurar profissionais que consigam te enxergar como uma pessoa completa.
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Sobre desculpar-se e pedir perdão.