Você sabe a definição do que é uma família? Muito se falou essa semana sobre o Estatuto da Família (PL 6583/13), que define a família como o núcleo formado a partir da união entre um homem e uma mulher. Logo vieram me perguntar se eu acreditava ser tão óbvio o quanto isso é um absurdo que não precisaria escrever sobre ele. Mas depois de ouvir e ler muito o termo “famílias desestruturadas”, pensei que estava na hora de questionarmos isso, não poderia ficar de fora.
Assim, resolvi pesquisar no dicionário Aurélio online o significado:
“1- Conjunto de todos os parentes de uma pessoa, e, principalmente, dos que moram com ela. 2- Conjunto formado pelos pais e pelos filhos. 3- Conjunto formado por duas pessoas ligadas pelo casamento e pelos seus eventuais descendentes. 4- Conjunto de pessoas que têm um ancestral comum. 5- Conjunto de pessoas que vivem na mesma casa. 6- Raça, estirpe. 7- Conjunto de vocábulos que têm a mesma raiz ou o mesmo radical. 8- Grupo de animais, de vegetais, de minerais que têm caracteres comuns. 9- Grupo de elementos químicos com propriedades semelhantes. 10- de família: familiar; íntimo; sem cerimônia. 11- família miúda: filhos pequenos. 12- sagrada família: representação de Jesus com a Virgem Maria e S.”
Fiquei mais irritada ainda e tive que respirar muito antes de começar a escrever. Acredito que as duas definições vêm de uma noção estritamente biológica e religiosa. Poderia me estender muito sobre cada tópico, mas vou tentar me conter e falar sobre a concepção da Psicologia a respeito. Eu deixo,então,para vocês comentarem e se questionarem se concordam, ou não, com essas definições.
Essa semana escrevi, na minha página do Facebook, sobre julgamentos. A tendência em classificar tudo entre certo e errado, o que implica em uma visão simplista da vida, com olhar e relações empobrecidos. Nos deixa preguiçosos, pois já julgamos antes de analisar outros ângulos da mesma história. As pessoas, isoladamente, são muito mais complexas do que isso, imagina quantas mais possibilidades existem quando elas se juntam, e quando formam uma família?
Agora você pode estar aí se perguntando sobre como é o desenvolvimento de uma criança sem pai?
Dessa forma atribuímos valor às pessoas e comparamos como melhores do que as outras, a partir de um critério unilateral e baseado em nossos próprios valores, sem sequer cogitarmos a hipótese de que sejam apenas diferentes. Tudo o que é novo causa estranheza, tira a segurança que o previsível nos dá. É baseado neste medo que essa lei foi escrita.
Criada pelos avós? Ou ainda filho de um casal homossexual? Impensável filho de um casal transexual? Pode até conhecer algum caso de filho oriundo de uma “família desestruturada”. De acordo com a Psicanálise, a teoria que utilizo para pensar a vida e o ser humano, para ter um bom desenvolvimento é necessária a presença de um ser que possa dar todos os cuidados, proteção, amor e atenção nos primeiros anos de vida, e outro ser que tem como função ir separando este vínculo e apresentando o mundo a este bebe.
Observe que escrevi “ser”. No mundo binário, religioso, normativo, comumente esses papéis foram realizados por um casal composto por um homem e uma mulher heterossexual que são pais desta criança. Mas nada impede que seja realizado por qualquer outra pessoa, seja esta um parente, um amigo, uma pessoa da comunidade ou até mesmo uma instituição. O importante é que essas pessoas queiram e estejam dispostas a dar toda a atenção e amor.
O vínculo de amor é o que une uma família, independente do que a lei queira determinar. Infelizmente, existem pessoas que legislam baseadas apenas nos seus valores, e se esquecem que podem estar prejudicando e excluindo outras formas de existir e conviver em sociedade. Convido vocês a pensar sobre o que une a sua família, quem são as pessoas que fazem parte dela. E o principal: porque outras não deveriam ser consideradas dessa forma?
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