Por quÊ a temática do suicídio não era discutida pela mídia até então: desinteresse ou descaso?
Por medo do suicídio, pois em 1774, foi lançado um romance chamado “Os sofrimentos do Jovem Werther“, que conta a história de um jovem que, após uma desilusão amorosa, cometeu suicídio. Os detalhes da obra geraram impacto em diversos países em que o mesmo método da morte e, muitas vezes, até a roupa do personagem eram copiadas por outros jovens que tiraram a própria vida, o chamado “efeito werther”. A venda do livro foi proibida em várias partes da Europa, a OMS publicou, em 2000, o documento “Preventing suicide: A resource for media professionals”, um guia para abordar o assunto em todo o mundo, temendo que isso pudesse acontecer novamente.
Essas recomendações estão sendo ignoradas com a larga divulgação do jogo “baleia azul”, que até hoje se resume em uma baleia desenhada no braço e relatos mal contados. Ok, não sabemos se esse jogo realmente existe e vocês estão disseminando e literalmente fazendo propaganda dele. Não é o jogo que está matando, são transtornos mentais sérios que estão sendo deixados de lado. Alertar os pais e falar sobre saúde mental é muito diferente disso, não existe nada saudável em fotos de braços ensanguentados.
Os pais precisam ficar atentos.
Olhar de verdade para seus filhos e escutar o que eles estão falando. Mas, não existe um porquê se alarmar dessa forma, só se mata quem quer, quem vem sofrendo e muito, assim como a protagonista Hanna Baker da série “13 Reasons Why” viu que a única alternativa para seu sofrimento terminar era o suicídio.
Ouvi essa semana sobre o assunto: “quem quer se matar se mata mesmo e não precisa de jogo nenhum ou muito menos fica se cortando”. Existe um fenômeno, o qual se denomina de pára-suicídio, ele se define como um tipo de comportamento que pode ou não ter como objetivo final a morte, em que ocorrem comportamentos arriscados ou a procura pelo perigo, tais como: cortes, ingestão de substância, dirigir em alta velocidade, entre outros. A cada autolesão o risco é aumentado, como a intenção e letalidade do ato, não é brincadeira. Dessa forma, não faz sentido disseminar ou descrer essas atitudes.
13 Reasons Why
Teve, no entanto, uma boa ideia em levantar essa temática. Mas, quando se faz em uma proporção como essa, é preciso ter um cuidado milimétrico, é necessário ouvir a OMS, psiquiatras e psicólogos. É impossível saber de antemão qual será a impressão e o abalo das pessoas que não estão pensando claramente e que estão perturbadas com a realidade. Você pode ter assistido a série e adorado, ter tido acesso a um tema que não teria de outra forma, e isso é muito bom.
Quantas pessoas vão se identificar com aquelas situações e acreditar que o suicídio é mesmo a única solução? Mas, qual resultado teremos com as pessoas que estão pensando seriamente em se matar, muitas vezes, já com um plano e com acesso a meio letal?
Atualmente, mais de 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo. Isso representa uma morte a cada 40 segundos.Ou seja, quem quer se matar pode se matar, quem quer chamar atenção pode se matar, quem se corta pode se matar… Parem de achar que são psiquiatras! Obrigada.
Procurem ajuda.
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