Quando comecei a fazer faculdade, muitas pessoas falavam que todos os alunos precisavam, obrigatoriamente, fazer terapia. Por isso, comecei meu processo de psicoterapia em busca do autoconhecimento. Se eu disser para vocês que me sentia mal naquela época, estarei mentindo. Vivia um bom momento da minha vida, estava muito feliz em um relacionamento, morando sozinha e iniciando a graduação em algo que eu tanto gosto, meus sonhos se realizavam e nada estava dando errado. Além disso, havia certo receio em começar a terapia, pois, meu primeiro contato com a psicoterapia, ainda na adolescência, foi uma experiência detestável.
Todavia, nessa nova fase, consegui encontrar uma psicóloga que gostei bastante e tivemos sessões semanais por anos. Faz mais de um ano que encerramos meu atendimento e até hoje percebo as vantagens e as transformações que ocorreram em mim. Pois, durante a sessão, o mais importante para a dupla (terapeuta e paciente) é o que realmente importa na sua vida: você! E hoje, tenho cada vez mais certeza de que todas as pessoas se beneficiariam de um olhar diferenciado e voltado para o seu bem-estar.
Se autoconhecer é um grande investimento e extremamente recompensador.
É muito penoso entrar em contato com angústias, mágoas passadas e dificuldades. Mas, é ilusório acreditar que é possível esconder dores e memórias, visto que, esses sentimentos voltam à tona o tempo todo. Reservar momentos para refletir pode evidenciar novas formas de enfrentar antigos obstáculos e exercita a capacidade de escolher outros caminhos.
No entanto, quando temos um problema ou passamos por dificuldades, procuramos um amigo com quem podemos desabafar. Claro que essa relação é muito confortante, porque, ele conhece toda a sua vida, sabe quem é seu/sua namorado(a), quem são os membros da sua família, as pessoas que participam das suas histórias e, provavelmente, ele o apoiará e o aconselhará como um cúmplice. Esse é o problema de ser ouvido e acolhido apenas pelo amigo. A amizade não pressupõe uma técnica e o psicólogo passou, no mínimo, cinco anos, estudando para aquele momento.
É extremamente importante que esse profissional esteja isento desses contatos íntimos e diretos com a vida do paciente, por isso, ele é proibido pelo Conselho de Ética Profissional da categoria de atender os próprios familiares e amigos. Mas, por quê? Quando eu conheço uma pessoa, crio a minha percepção e nutro sentimentos em relação a ela. Quando você me conta de alguém que eu não conheço, entro em contato com o seu conceito sobre determinada pessoa. E assim, um profissional qualificado sabe realmente como ajudar você a não ter que enfrentar essas mesmas dificuldades novamente.
Além disso, acredito que você não tem o costume de investir tempo, muito menos dinheiro, em seu autocuidado e autoconhecimento. Pois, precisa trabalhar, cuidar dos filhos ou dos pais, pagar dívidas ou contas e tem uma lista repleta de afazeres importantes na sua rotina, portanto, a prioridade nunca seria a psicoterapia. A sociedade à nossa volta, muitas vezes, adiciona mais e mais obrigações para que nos consideremos cidadãos respeitáveis e admiráveis. O bonito e esperado é ser super produtivo, prover uma família e ainda aparentar que a situação em que se vive é pura diversão.
O importante é poder reconhecer a importância de cuidar da sua mente.
Da mesma forma que você se preocupa em se alimentar, em fazer atividades físicas e exames de rotina para manter o corpo saudável. É notável que, geralmente, as pessoas limitam o cuidado próprio ao que é concreto, ou seja, ao físico e biológico, como se o bem-estar fosse atrelado apenas ao corpo e a mente que nos habita ficasse na periferia de tudo isso. Dessa forma, facilmente você se deixar tomar por palavras, pensamentos, intrigas e fantasias negativas o tempo todo. Muitas coisas ruins acontecem e, em alguns momentos, podemos chegar a acreditar que só existem acontecimentos negativos em nossas vidas.
Os problemas se acumulam, como se nunca fosse possível encontrar um período de calmaria e quem dirá de felicidade. Contudo, é claro que sempre existe algo bom que pode nos dar prazer e que você, por estar tão envolvido com o estresse, deixa passar despercebido. Para cuidar da saúde mental é preciso reavaliar e reconhecer o que não faz bem para que isso possa ser alterado e, se preciso, ter coragem e comprometimento para pedir ajuda.
Apesar disso, é comum sentir medo em procurar e marcar uma consulta psicológica, pois, você teme mudar demais e enxergar coisas que estavam encobertas. Alguns medos básicos ao iniciar a psicoterapia é achar que você se transformará em outra pessoa, por isso, vai querer coisas que antes não queria, tais como: terminar o relacionamento, mudar de trabalho e fazer uma reviravolta na sua vida. Esse receio é comum e afasta várias pessoas da clínica de psicologia. Mas, ele é real? Posso afirmar que não é.
Exemplo:
Vamos supor que você conta para seu/sua terapeuta a respeito de uma briga entre você e seu namorado(a), muitas outras questões podem surgir decorrentes desse assunto, tais como: a percepção da sua reação frente a alguns problemas, como expõe seus pensamentos, como escolhe seus parceiros(as) amorosos(as), quais são suas expectativas em relação ao outro, entre muitas outras coisas.
Caso não houver sentido para a continuidade desse relacionamento e você optar por seguir esse caminho, seu/sua psicoterapeuta também ajudará e apoiará na tomada dessa importante decisão, que foi somente sua.
De fato, você não voltará a ser como era antes do processo psicoterapêutico. Em muitos momentos você vai falar de conflitos em todos os aspectos da sua vida e, grande parte deles, serão problemas atuais que causa incômodo e você poderá agir. Entretanto, você também poderá falar de eventos antigos da sua infância, até de histórias com outras pessoas, que já morreram, por exemplo, as quais você não poderá mais agir, mas, poderá construir um novo significado em relação àquela vivência. Logo, o sofrimento e o autoquestionamento causam transformações profundas, porém, as mudanças são coordenadas por você.
Fazer psicoterapia nos ajuda a compreender e nomear nossas emoções. O conteúdo já está dentro de nós, todavia, não sabemos o que fazer com ele porque, nem se quer, sabemos o que ele é. Se o que sentimos é medo, tristeza, raiva, frustração, felicidade, amor, entre outros. Assim, podemos nos confundir bastante em relação aos nossos sentimentos. Estar atento a eles é uma das maneiras mais simples de ampliar nossa visão dos problemas e desenvolver maneiras criativas de lidar com os conflitos.
Existem muitos mitos e indagações sobre o que acontece dentro de uma sala de psicologia e como é fazer psicoterapia. Se você ainda tem alguma dúvida, deixe-a nos comentários ou envie através de uma mensagem. Ficarei feliz em poder esclarecer e clarificar essas questões para você!
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